10/09/2019 às 17:41:29

Como a morte é encarada em outros povos?

A morte que para nós é um fato que traz muita tristeza, é interpretada de diversas formas diferentes em outros lugares do mundo. Confira:

Como a morte é encarada em outros povos?

Sempre que um ente querido falece, nossa reação de tristeza é imediata, as lágrimas chegam rápido e  em alguns casos o abalo emocional também se faz presente. Mas e se te dissermos que em algumas regiões pelo mundo a morte é motivo de festa? Ou então algo extremamente sério e repleta de ritos? Estas são apenas algumas das muitas interpretações diferentes que outras culturas fazem sobre a morte. Que tal conhecer algumas delas?

A Morte na cultura Egípcia

Provavelmente você já ouviu falar sobre as múmias e pirâmides do Egito. Acontece que elas fazem parte de todos os ritos realizados pelo povo egípcio sempre que havia uma morte. Havia entre eles a crença de que todos os fatos ocorridos possuíam relação direta com a natureza,  posição dos astros, entre outras coisas, portanto a sua interpretação era de que a morte significava o desprendimento da alma do corpo humano, o início de uma nova fase. Assim sendo, se o corpo era a morada da alma, então deveria ser muito bem conservado para que pudesse ser utilizado novamente pela alma neste novo momento. Por esta razão, aconteciam as famosas mumificações, retirando-se as vísceras e restos mortais e repousando o corpo em uma mistura de carbonato de sódio e água, para em seguida preenchê-lo com ervas que evitavam a deterioração dos tecidos, e  finalmente eram enfaixados e cobertos por uma cola para evitar a contaminação.

Após a  preparação do corpo, ele era colocado em um sarcófago, e só então depositado em um túmulo. Apenas sacerdotes e faraós eram sepultados nas famosas pirâmides, chamadas de mastabas,juntamente com as oferendas comuns no ritual, o que também permitia compreender a posição social de cada egípcio falecido. Acreditava-se que após a morte, o falecido era conduzido pelo deus Anúbis até o tribunal de Osíris, em que seria julgado por outras quarenta e duas entidades divinas. Neste tribunal seus erros e má conduta seriam avaliados e seu coração pesado. Caso fosse mais pesado que uma pena, não poderia entrar no Duat, o submundo dos mortos, e sua cabeça seria devorada pelo deus Suco, que possui cabeça de crocodilo. 

A Morte na cultura Mexicana

Talvez você já tenha ouvido falar da Festa dos Mortos. Apesar do termo soar estranho aos nossos ouvidos, esta é uma das principais festas da cultura mexicana, celebrada no dia 2 de novembro. O intuito da festa é celebrar e relembrar não apenas os mortos, mas também tudo aquilo que gostavam enquanto estavam em vida, já que para eles, a morte é uma passagem que permite que o falecido se livre das vaidades do mundo. É extremamente comum nos cemitérios do país encontrar celebrações com muita comida, mariachis e trios especializados tocando as músicas preferidas do falecido.

A ideia de se festejar para ‘alegrar os mortos’ foi levada tão a fundo, que existem doces específicos criados para a celebração do Dia dos Mortos. A caveira também foi uma figura adotada como um dos principais símbolos do país. Após a criação da gravura de La Catrinna (uma caveira vestida de forma elegante) por José Guadalupe Posada, a imagem se disseminou, e atingiu níveis não imaginados. Atualmente alguns mexicanos cultuam a imagem da Santa Morte. Uma caveira vestida como virgem, que recebe cultos e oferendas.

Para o povo mexicano é extremamente comum a figura da caveira e a ideia de morte como algo inevitável desde criança. No país existem museus com corpos mumificados expostos, e a ideia de se relembrar os mortos é comum, como no caso do cemitério de Pomuch, em que os corpos são exumados e os ossos limpos todo dia 2 de novembro.

A Morte na Cultura Indiana

Se tratando da Índia,  você já deve ter imaginado que a morte para este povo possui relação com o Rio Ganges. Considerado sagrado, o rio situado na cidade de Varanasi é centro de toda a cultura inclusive no momento da morte. Ao se caminhar pelas escadarias de Varanasi é extremamente comum ver fogueiras ardendo durante todo o dia, mas elas se encontram sempre ali por um motivo: Cremar os mortos que terão suas cinzas jogadas no Ganges. Em cada uma das pilhas de madeiras amontoadas  existem corpos de pessoas falecidas, e não raro, estes mortos estiveram na ‘fila para morrer em Varanasi’. 

Logo atrás das escadarias  existe uma viela, onde é possível encontrar vários idosos, que foram até lá aguardando a sua morte para que possam ser cremados e que tenham suas cinzas jogadas no rio, pois segundo o hinduísmo, isto os ajudará a atingir o Moksha, um estado de libertação deste ciclo de ressurreições que prende o homem aos sofrimentos da terra, um dos principais objetivos hinduístas. Por este motivo não há tristeza na morte, e ela é vista apenas como uma passagem.

A Morte na Cultura dos Himalaias

Assim como nas outras culturas, o ritual pós morte nas altas montanhas do Himalaia possui influência de uma religião:  o Budismo. Preferencialmente a tradição budista se utiliza da cremação, mas no Himalaia, as condições impedem este tipo de ritual. As montanhas rochosas não possuem árvores, portanto não há combustível para o procedimento, assim como não é possível realizar enterros em solo rochoso. Na região do tibete, para solucionar o problema, o habitantes costumam realizar um ritual considerado sagrado, com origem anterior ao budismo. O ‘Funeral nos céus’, em que os mortos são esquartejados e deixados como alimento aos abutres. 

Este procedimento evita a disseminação de doenças e é tratado como algo sagrado, pois estará sustentando a vida de outro ser vivo. Após uma longa caminhada até o ponto mais alto, os corpos são cortados em partes por um especialista não budista, portanto, a pessoa mais indicada para o procedimento. As comunidades budistas acreditam, que o desprendimento da alma em relação ao corpo, o deixa na terra como um vaso vazio, enquanto sua alma segue, portanto devolver o corpo à  natureza é considerado sagrado.

A Morte na Cidade de Nova Orleans (EUA)

Até mesmo os Estados Unidos contam com alguns ritos diferenciados no momento da morte, especialmente na cidade de Nova Orleans, em Louisiana. A cidade extremamente cosmopolita, também considerada um dos berços do Jazz, não poderia deixar de apresentar uma tradição riquíssima. Os rituais semelhantes a alguns realizados na África e na Europa, se destacam em meio ao país por não tratarem a morte apenas com tristeza. Talvez eles sejam a comunidade mais equilibrada em relação a isso, pois seus enterros são repletos de muito Jazz. No início do cortejo o clima ainda é pesaroso, e as músicas mais tristes, mas assim que o corpo é finalmente enterrado, então as músicas se tornam mais alegres, e o clima de tristeza se transforma  nesta cidade repleta de muita cultura.

A Morte na Cultura da Coreia do Sul

Diversas pessoas optam pela cremação como uma opção ao sepultamento, e é comum que após o procedimento, as cinzas  sejam guardadas em gavetas, ou então conservadas pelos parentes em algum recipiente, mas a Coreia do Sul foi um pouco mais longe. Devido à necessidade da cremação pela falta de espaço em seus cemitérios, a cremação se tornou a principal alternativa ao falecimento, mas ela não parou apenas na cinzas. Algumas famílias têm pago para transformar as cinzas de seus entes queridos em miçangas.

O restos das cinzas são derretidos até o ponto da cristalização, e então são transformados em várias miçangas que podem variar entre rosa, roxo, azul, verde e preto. Em média um corpo adulto costuma render até cinco xícaras de miçangas, enquanto que corpos mais jovens, rendem até oito xícaras devido à densidade dos ossos. O procedimento se tornou extremamente comum, e uma alternativa criativa à falta de espaço para sepultamentos. 

 

Todas estas formas de se encarar a morte nas diferentes culturas, comprovam a diversidade de interpretações que se pode dar a ela, portanto, se sofrer a perda de um ente querido, viva seu luto, se permita chorar e estar triste, mas após isso, mantenha-se firme, e com a certeza de que tudo continua bem apesar da dor. Esteja atento aos nossos próximos artigos e inscreva-se em nossa newsletter para saber das novidades.